sexta-feira, 27 de maio de 2011

Nós depois de nossos ancestrais.

Fim de semana desses estive no vale do Ribeira aqui próximo de São Paulo e onde esta localizada a famosa caverna do diabo. É um lugar ainda que podemos encontrar  matas nativas, aves e a  nítida impressão de que, fosse quem fosse os nossos ancestrais, esses caras eram muito bom. Verdadeiros seres capazes de superar todas as adversidade da natureza e sobreviver a tudo o que  lhes impunha. Reclamamos das cidades e do dia a dia corrido. Mas a verdade é que temos comida na geladeira, fogo no fogão. Proteção que as paredes e os telhados nos dão. Podemos conversar com o mundo todo, tomar banho regularmente e dormir em camas confortáveis e limpas sem o medo de que algum tigre-dente-de-sabre ou urso gigantesco nos devore. Na verdade por mais simples que seja uma casa, ela tem mais conforto e nos da mais conforto do que os palácios dos antigos faraós. Claro que temos nossas dificuldades, doenças novas e o nosso maior inimigo é o nosso próximo, um igual a nós. E é o que temos que apreender agora nessa etapa da evolução a superar. Sobreviver a nós próprios. Mas vamos lá.  Quem sabe no futuro alguém escreva sobre nós e  nos compare com seu momento, dizendo que  o maior desafio deles, o maior inimigo não é mais outro ser humano ou  algum ser da natureza selvagem desse planeta, mas talvez  uma viagem interplanetária. Queira Deus, que sim!

Saudades.

Há momentos na vida que sentimos uma saudade do que não vivemos.

Quando entrei no shopping  para comprar um presente para um amigo , dei de cara , corpo e um sorriso lindo, com um passado que de tão distante eu nem mais me lembrava.
Ela me sorriu.
- Hélio. Hélinho! - Ela me disse tão feliz ao me ver que me contaminou.
- Apereira! - Eu disse de imediato.
- Não me chame assim. Meu nome é Juliana.
- Claro! É que Apereira ficou forte marcante.
- Entendo! Como vai!

Apereira. Esse não era o seu nome, Pereira era o seu sobrenome. Mas na escola todos a chamavamos de Apereira, para simplesmente humilha-lá. Todos fazíamos isso.O que hoje todos dizem como Bulling. Na verdade, o que queríamos era distância de Apereira. Porque algumas de suas colegas, haviam estabelecido que Juliana, Apereira fosse posta na geladeira. Estávamos no ensino básico e esse tipo de discrimação era bastante comum.

Bem, na epóca os meninos queriam ficar com as meninas mais legais. Apereira, não era  bonita. Era magra, mais alta que todos e  por isso preferimos ficar com as demais. Até que um dia, tive que pedir ajudar a  Juliana, ou Apereira. Se tratava de um trabalho de história o que era o meu fraco. E Apereira foi até a minha casa e começamos a estudar juntos. E eu tolo que era, fiquei com medo de que algum amigo viesse a saber de que Apereira esteve em casa me ajudando a estudar história.

Mas eu precisava muito, e  ficamos estudando o dia todo. E num dado momento me vi  tomado por Apereira dando atenção para a minha necessidade e com vontade e carinho que se dedicava. E com o seu ensinamento pratico e direto eu ia digerindo aqueles fatos históricos. Então, assim que acabamos aquela matéria, ela se virou e perguntou para mim com todo o interesse que pode me dar e que me cativou.
- Você entendeu! Tem alguma dúvida ainda!
Eu disse que tinha entendido tudo. Ela sorriu e disse que já ia embora. Eu então falei para ela ficar e se queria um pedaço de bolo e refrigerante. Ela disse que sim, e estranhamente eu fiquei feliz e bastante contente por ela ter aceitado. A minha mãe trouxe o bolo e ficamos comendo  e falando de  varias coisas . Apereira era toda atenção e gentilezas. Agradou a minha mãe e a mim também.

Daquele dia em diante eu passei a respeitar mais Apereira. E na escola aos poucos fui quebrando a vergonha de estar ao seu lado e conversar com ela. Eu sei que parece coisa de idiota, tolo. Mas aconteceu. E Apereira, simplesmente me mostrou pela primeira vez nessa vida o que é um preconceito armado contra uma pessoa  e com toda a sua atenção para me ensinar marcou para sempre a minha vida, mostrando o quanto podemos se melhor do que a merda de imagem que alguém tem de nós.

Por isso senti saudade dela, quando a vi no shopping. Ela estava linda, gostosa e simpática como sempre. E sinceramente me deu vontade de ficar mais tempo com ela, matando a saudades da Apereira que conheci naquela tarde em que mostrou a sua dedicação simples e verdadeira, mas grande, e que imprimiu em minha vivência, em minha alma e que levarei para sempre.